sábado, 28 de fevereiro de 2015

A Minha Dor

"A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal…
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias…
A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve… ninguém vê… ninguém…"

(Florbela Espanca)

2 comentários:

  1. Este soneto é belíssimo! Sempre me encantam os escritos de Florbela Espanca.
    É uma de minhas poetisas favoritas, sem dúvida.. Sua escrita é única, seus versos são sempre carregados de melancolia e reflexões existenciais.
    Ótima postagem :)

    Um grande abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também me encantam profundamente os escritos de Florbela Espanca. Muito obrigada.
      Bid you adieu...

      Excluir